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Acima Patricia Cornwell afirma que o suposto auto-retrato de Jack - O Estripador foi feito pelo pintor impressionista alemão, Walter Sickert, e seria o fim do mistério de 114 anos




*Mary Ann Nichols, 1ª Vitima, morta em 31 de agosto de 1888 *


*Annie Chapman, morta em 08 de setembro de 1888. *



*Elizabeth Stride, morta em 30 de setembro de 1888. *



*Catherine Eddowes, morta em 30 de setembro de 1888. *



*Mary Jane Kelly, a "última" vítima, morta em 09 de novembro de 1888.*


*Todas elas se encontram enterradas em Londres.*

SOBRE JACK - O ESTRIPADOR


O primeiro dos suspeitos é George Chapman, de origem polonesa, cujo verdadeiro nome é Severin Klosovski, proprietário de um salão de cabeleireiros. Chapman é parecido com o homem visto com Mary Kelly. Além disso, algumas das cartas assinadas por Jack - O Estripador, contêm expressões idiomáticas americanas, e Chapmam morou durante dois anos nos Estados Unidos. Mas ele é enforcado em 1903, condenado pelo envenenamento de três de suas amantes. Um outro é o suspeito mais famoso, o duque de Clarence, filho mais velho do futuro rei da Inglaterra Eduardo VII. Mentalmente retardado, aos 24 anos, o duque sofre de gota e de sífilis. Ele corteja uma mendiga, o que não o impede de sentir atração por meninos. Clarence não possui disposição para nada e em 1892, deixa a lista de suspeitos após morrer de pneumonia, ou sífilis. Entretanto, o duque costumava contar à família que ele e Jack - O Estripador, eram uma só pessoa. Os companheiros de Clarence compõem um vasto leque de criminosos potenciais. O tutor do duque em Cambridge, James Stephen, é um dos suspeitos, enquanto o escudeiro é primo de dois outros suspeitos, Milis e John Druitt. Voltaremos a isso.

O doutor Neil Cream envenenou quatro prostitutas com estricnina, e ficou conhecido como o "Envenenador de Lambeth". Por esses crimes, é enforcado em 1892. No cadafalso, suas últimas palavras para o carrasco são: "Eu sou Jack, ...". Contudo, no momento dos assassinatos, Cream estava preso em Illinois, nos Estados Unidos. Absolvido pela Justiça norte-americana em julho de 1891, está na Grã-Bretanha desde setembro. A situação complica-se quando Cream envolve no caso um sósia dele. De fato, anteriormente, para se defender num processo de bigamia, ele afirma que, à época dos crimes, estava detido em Sydney, na Austrália. O diretor da prisão confirma que um homem com as características de Cream esteve preso na instituição, o que basta para esclarecer as dúvidas. Obviamente, dois homens serviram-se mutuamente de álibis, e as derradeiras palavras de Cream ao carrasco teriam sido uma última demonstração de generosidade ao seu cúmplice.

De origem burguesa, Montagne John Druitt nasce em 1857. Extremamente inteligente, obtém uma bolsa de estudos no Winchester College e, depois, em Oxford. É um estudante brilhante, popular entre os colegas, pratica remo e críquete. Em 1880, Druitt se forma, mas sua vida começa a ficar complicada. Ele inicia o curso de Direito, mas abandona a escola. Entra para a faculdade de Medicina, desiste do curso e retoma o de Direito. Trabalha numa escola para sobreviver. Em 1888, é despedido.

Homossexualidade ou conduta irresponsável? Druitt sentia que estava ficando louco como a mãe, internada para sempre num hospital psiquiátrico. Druitt foi visto pela última vez em 3 de dezembro de 1888, e seu corpo foi resgatado do Tâmisa, próximo a Londres, no dia 31. Os bolsos, cheios de pedras, não deixam dúvidas quanto ao suicídio. A morte de Druitt coincide com o fim da onda de crimes, mas o fato de que jogava críquete em Blackheath na manhã da descoberta dos corpos de Mary Chapman e de Polly Nichols seria suficiente para inocentá-lo. Em março de 1889, os policiais garantem a um membro do comitê de vigilância que reclama da redução das rondas, que Jack, o Estripador, estava morto. Segundo a polícia, o fato não fora divulgado para poupar a mãe do criminoso, que estava internada.

No decorrer das investigações, aparece também um conceituado médico, Dr. Lees, pertencente ao círculo próximo à rainha Victoria. Lees afirma à polícia ter tido três visões premonitórias dos crimes, e chegou a descrever a roupa do assassino. No início, os agentes de polícia escutam o médico por educação, mas, quando ele faz referências às orelhas decepadas, ficam atentos, pois ninguém havia comentado esse fato. Lees conduz os policiais à casa de William Gull, também freqüentador do palácio de Buckingham como médico da rainha e do príncipe de Gales.

A filha de Gull afirma aos inspetores que, vitimado por um ataque em 1887, o pai regularmente assume um comportamento violento. A casa é revistada e os policiais encontram no guarda-roupa um terno de tweed e uma capa que correspondem à descrição feita por Lees. O médico não consegue explicar por que suas roupas estão sujas de sangue. Convencido do poder de suas relações pessoais, Gull inicialmente não se preocupa. Morre em 29 de janeiro de 1890. Corria também uma outra versão: Gull encobria algum membro da família real, pois, debilitado psiquicamente, não possuía condições de cometer os assassinatos.

Finalmente, Rasputin, o polêmico bruxo da corte do czar Nicolau II, da Rússia, entra no caso. Um manuscrito, intitulado Les Grands Criminels Russes (Os Grandes Assassinos Russos), é encontrado num cofre na casa de Rasputin, após ele ter sido assassinado pelo príncipe Félix Yussupov. O documento aponta um médico, o doutor Konovalov, como o verdadeiro Jack, o Estripador. Konovalov freqüentemente exibia impulsos homicidas e, por conta disso, a Okhrana, polícia secreta czarista, o teria mandado para a Grã-Bretanha. Assim, Konovalov teria sido o sósia de Klosovski-Chapman.

Mais tarde, as suspeitas atingem um certo Michael Ostrog - que seria Konovalov - um médico considerado louco, que conseguiu se livrar de várias condenações. Ostrog tem a reputação de bater em mulheres e de nunca se separar de seus instrumentos cirúrgicos. Um homem com as características de Ostrog foi →



 Escrito por Thiago Leal às 11h20
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CONTINUAÇÃO

 assassinado num asilo para loucos, logo após a morte de uma mulher em Petrogrado. Por coincidência, essa mulher foi morta após a volta de Konovalov à Rússia.

Frank Milles é pintor e viveu por algum tempo com o poeta Oscar Wilde. Eles se separam em 1881. Milles é um exibicionista que gosta de chamar a atenção das prostitutas. Artista talentoso, é internado num hospital para doentes mentais em dezembro de 1887. A data da morte de Milles é motivo de dúvidas: pode ter sido em março de 1888 ou em julho de 1891- e essa divergência muda tudo. Como vimos, o primo de Miles era escudeiro do duque de Clarence e os dois homens se conheciam. Quais seriam as relações entre eles? Mistério. Indubitavelmente, O Retrato de Dorian Gray apresenta analogias com os acontecimentos de 1888. Daí, conclui-se que Wilde escreveu um romance com um segredo...

Voltemos à associação Druitt, Clarence, Miles, Stephen. O destino deste último lembra o de Druitt. Após misterioso acidente, no qual fere a cabeça, enlouquece. É o que se conclui a partir dos fatos relatados por sua ilustre prima, a romancista Virginia Woolf. Stephen, filho de célebre magistrado, passa a se dedicar à poesia, na qual deixa transparecer a raiva contra as mulheres. Misoginia extrema ou furor causado pelo fim de sua relação com Clarence, enviado pela família a um regimento de hussardos? Em razão desses transtornos psicológicos, Stephen teria consultado um médico... o doutor Gull. Todos os protagonistas estão reunidos e o caso é encerrado. No fim de 1891, Stephen é internado num asilo e morre em 3 de fevereiro do ano seguinte.

Mais de um século depois dos acontecimentos, continua o mistério do assassino das mulheres de Whitechapel. Jack - O Estripador, torna-se definitivamente um mito repleto de histórias sombrias e misteriosas.



 Escrito por Thiago Leal às 11h17
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O MITO DE JACK - O ESTRIPADOR.

No Brasil, a escravatura estava sendo abolida. Mas em 1888, a capital do mundo, Londres, não estava interessada neste fato menor ocorrido num lugar exótico e remoto. O que fazia vibrar a sede do Império onde o sol nunca se punha eram os crimes cometidos por alguém que os jornais sensacionalistas, que conheciam seu primeiro esplendor, chamavam de Jack - O Estripador. Londres era o auge da civilização, mas tinha seus lados menos nobres. Ao norte da Torre de Londres e das docas do rio Tâmisa, na periferia do East End, área que margeia a avenida Whitechapel e a estrada do mesmo nome, um monstro estava à solta. O que ele fez foi assassinar e esquartejar prostitutas, pelo menos cinco delas. Nunca se soube quem estava por trás do mito criado pelos jornais da época. Há uma série de teorias e de suspeitos, inclusive um médico da Rainha Vitória e dois herdeiros do trono. mas os crimes nunca foram solucionados, o que só alimentou a curiosidade e a sobrevivência

Mais do que curiosidade, uma detetive atual , a escritora best seller de livros de mistério, Patricia Cornwell, desenvolveu uma obsessão pelo caso de Jack - O Estripador. Ela é uma mulher durona de 46 anos, apesar de fisicamente frágil, com mania de combater injustiças, defensora de direitos dos animais.

Também odeia serial killers. Ela gastou US$ 6 milhões contratando cientistas e ajuda técnica legal, descobrindo provas do caso. Jack é considerado o primeiro serial killer da história e sua vida e obra provocaram uma indústria de livros, sites, filmes e especiais de TV. Agora, Patricia Cornwell tem um suspeito, um pintor impressionista, discípulo de Whistler e amigo de Degas, que costumava pintar prostitutas ameaçadas por homens maus e que já fora apontado como Jack.

Patricia reuniu toda sua investigação no livro 'Portrait of a Killer: Jack the Ripper, Case Closed' (Retrato de um Matador: Jack, o Estripador, Caso Encerrado'), que está sendo lançado nos EUA. Aqui, a editora habitual dos livros da autora, a Companhia das Letras, ainda não tem uma previsão para uma eventual tradução brasileira.

Boa parte do dinheiro de Patricia foi gasto em testes de DNA mitocondrial que dura mais do que o DNA nuclear geralmente usado em testes de legistas.

São amostras que servem para analisar o material genético na saliva, sêmen, células da pele, que carregam o código genético único de cada pessoa.

Contudo, o DNA mitocondrial não pode ser usado como prova contra um determinado suspeito, pois pode ser compartilhado por mais de uma pessoa.

Segundo especialistas em Jack, o Estripador, o que o livro de Patrícia mostra deixa 1% da população britânica na época dentro do que foi descoberto, cerca de centenas de milhares de pessoas.

A escritora também diz que as marcas d'água em três cartas do Estripador e
oito de Sickert são idênticas, mas o papel foi amplamente distribuído na Londres de 1888. Uma outra coincidência apontada no livro: cinco cartas de
Jack foram assinadas 'Nemo', ninguém em latim. O nome que Sickert usava como ator era Mr. Nemo. Assinaturas das cartas com iniciais dos dois também
combinaram. Patricia se adianta aos que atacarem o livro: "Sei que vou brigar. O pessoal do Estripador está irritado. Não querem que alguém descubra o culpado. Isso estragaria a festa deles."

O livro sobre Jack - O Estripador rendeu 4,5 milhões de dólares, por ser de
não-ficção.

Comprou uma casa em Greenwich, em Connecticut, que está vazia. Em alguns
comodos há fac-similes das cartas do Estripador, livros de medicina legal e
45 obras de Sickert compradas na pesquisa. Ela foi acusada de danificar os
quadros em busca de provas de DNA.

Segundo Patricia, Sickert "tinha a personalidade de um psicopata. Era
bonito, charmoso", e ainda manipulador com as mulheres. Revela que Sickert
ridicularizava a estupidez dos outros, algo que surgia nas cartas do Estripador. Ele nasceu em 1860 na Alemanha e teria sofrido uma operação que deformou seu pênis, o que, para Patricia, poderia ser uma razão para as mortes de prostitutas. Numa das cartas do Estripador há referência a uma mutilação genital. Mas essa carta já foi apontada como falsa.

Sickert teve trës mulheres e a última, uma artista, viveu com ele até ficar viúva, em 1942. Patricia não tem dúvida de que ele foi o autor dos crimes e comenta: "Vejam só o rosto dele. Toda vez que olho essa cara, digo: você não vai escapar desta".



 Escrito por Thiago Leal às 19h01
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