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Acima Patricia Cornwell afirma que o suposto auto-retrato de Jack - O Estripador foi feito pelo pintor impressionista alemão, Walter Sickert, e seria o fim do mistério de 114 anos




*Mary Ann Nichols, 1ª Vitima, morta em 31 de agosto de 1888 *


*Annie Chapman, morta em 08 de setembro de 1888. *



*Elizabeth Stride, morta em 30 de setembro de 1888. *



*Catherine Eddowes, morta em 30 de setembro de 1888. *



*Mary Jane Kelly, a "última" vítima, morta em 09 de novembro de 1888.*


*Todas elas se encontram enterradas em Londres.*

SOBRE JACK - O ESTRIPADOR


                                              

 Escrito por Thiago Leal às 12h42
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Finalmente Atualizado!

Patrícia Cornwell é bem conhecida por sua literatura policial, de tons médico-legais.Ou seja, dedicada a narrativa dos meandros das investigações feitas entre corpos e geladeiras de necrotérios. Antes de se tornar uma escritora profissional trabalho com medicina legal nos Estados Unidos da América e atualmente é diretora de um departamento na mesma área.

Recentemente, em uma visita a Londres, convidaram-na a visitar os lugares onde Jack, o estripador cometera seus crimes no final do século XIX. O caso de Jack, o estripador é público, notório e incômodo para a Scotland Yard (polícia inglesa), tanto quanto o caso Jack – The Ripper é para a justiça francesa.

Mas é claro, a Scotland Yard - como ficou conhecida a polícia londrina - recuperou-se do surto de descrédito que lhe abateu durante o caso, recuperação tão notável que foi capaz de criar em torno da polícia uma verdadeira mitologia de competência, eficácia, rapidez, discrição e infalibilidade.

Desvendar a identidade do estripador não é de qualquer modo uma questão primordial para a Scotland Yard, até mesmo porque as possibilidades - passados mais de cem anos - são terrivelmente remotas.

Mas Patrícia Corwell quis se meter na embrulhada e "revelar a identidade do estripador". Investiu de seu próprio bolso para realizar testes modernos empregados na medicina legal atualmente como exames de DNA, exames grafológicos, de marcas d´água em cartas do suposto assassino etc. Todos absolutamente inconclusivos.

Ora, apesar de todo avanço científico atual, nada pode ser feito contra os equívocos e barbeiragens na condução dos inquéritos à época. Além do mais o principal suspeito de Corwell foi cremado, o que destrói grande parte das possibilidades.

Diante disso, a escritora investiu em uma análise de cunho psicológico criminalista a fim de "identificar" o assassino. Tal procedimento a levou até Walter Sickert, pintor inglês falecido na década de 1942, sem deixar herdeiros e sem qualquer parente de sangue vivo. Aí a coisa começa a se complicar, e não no campo da narrativa de Corwell.

Será que Patrícia Corwell teria a mesma desenvoltura para fazer uma acusação tão grave caso Sickert tivesse deixado herdeiros? Certamente o risco de ter de pagar uma indenização milionária referente a um processo por calúnia e difamação não compensaria o lucro obtido com a venda do livro. Nem mesmo correria o risco de ter seu trabalho desqualificado em público por um advogado minimamente competente.

O segundo problema é o da ausência de provas definitivas: a análise de um quadro de um pintor - a não ser que tenha sido pintado com o sangue da vítima - por mais que insinue algo jamais terá o peso de uma confissão. E não existem quaisquer outras provas materiais além das especulações de Corwell.

Em terceiro lugar, análises psicológicas devem ser calibradas, ainda mais quando se dão no tempo. Sickert foi um vitoriano, um homem do século dezenove e adotar um vocabulário sombrio, permeado de termos relacionados à morte e ao corpo não faz dele, necessariamente, um assassino, bem como não o fez de Byron. Entre os românticos do século dezenove - mesmo os tardios - tal vocabulário era uma questão de estética e de ideologia, não uma confissão de psicopatologias.

Por último, mas não menos grave, reside o problema do julgamento. Que a imprensa é leviana - com nobres exceções - não é uma novidade, que vender conteúdos sensacionalistas (mesmo os com mais de cem anos) rende muito dinheiro também não é. Entretanto o próprio mundo burguês, instaurado no século dezenove, determinou a regulamentação de tais questões.

Ou seja, existe um poder judiciário exatamente para resolver tais questões. Qual é o direito que um indivíduo - protegido pelo dinheiro - tem de acusar e julgar sozinho (veja-se bem, a mesma instância que acusa, julga) tal questão?

Pode ser que Sickert realmente tenha sido o estripador, como pode ser que não. A alegação de que "trata-se de fazer justiça às vítimas" não convenceria nem mesmo às próprias, trata-se de fazer dinheiro.

A injustiça - ou a impunidade - perde-se no tempo, a história não volta, para nenhum lado, para ninguém. Os problemas dos mortos se foram com eles, nos restam suas heranças e são delas que nos ocupamos, como pensadores não como juízes.

Sinto-me bastante a vontade para falar sobre isso uma vez que - bem como os legistas - historiadores convivem com mais gente morta do que viva, mas não temos como objetivo ou pretensão "fazer justiça", ou "resolver os problemas deles", tal procedimento seria no mínimo hipócrita.

Afinal de contas, as prostitutas londrinas cruelmente assassinadas já estavam condenadas por sua sociedade antes de serem retalhadas pelo estripador. Ele somente foi o braço final de um triste processo de degradação social. E as cinco infelizes não estão a bater na porta de nenhum tribunal.


 Escrito por Thiago Leal às 12h36
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