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Acima Patricia Cornwell afirma que o suposto auto-retrato de Jack - O Estripador foi feito pelo pintor impressionista alemão, Walter Sickert, e seria o fim do mistério de 114 anos




*Mary Ann Nichols, 1ª Vitima, morta em 31 de agosto de 1888 *


*Annie Chapman, morta em 08 de setembro de 1888. *



*Elizabeth Stride, morta em 30 de setembro de 1888. *



*Catherine Eddowes, morta em 30 de setembro de 1888. *



*Mary Jane Kelly, a "última" vítima, morta em 09 de novembro de 1888.*


*Todas elas se encontram enterradas em Londres.*

SOBRE JACK - O ESTRIPADOR


Mais novidades em breve

 Escrito por Thiago Leal às 22h06
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Após tanto tempo sem atualização, ai vai um petisco aos interessados no caso, agora todo mês terá atualizações, obrigado.

 

Jack, o Estripador, foi o primeiro criminoso a virar celebridade. Depois de 115 anos, ele é nome de pub em Londres, tem roteiro turístico e batiza até um drinque vermelho-sangue. Sobre ele, foram escritos mais de 200 livros com variadas hipóteses. Anthony Perkins e Klaus Kinsky já o representaram no cinema. Mas o curioso, no caso de Jack, é que ele é uma celebridade sem rosto - algo impensável nos dias de hoje. Está nas livrarias - depois de ter causado polêmica nos Estados Unidos - o livro Retrato de um Assassino, a mais recente tentativa de dar identidade ao criminoso que estripou pelo menos cinco prostitutas no miserável bairro londrino de Whitechapel no fim do século XIX.



 Escrito por Thiago Leal às 12h55
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Barbeiro pode ser verdadeiro "Jack, o Estripador"!

Notas manuscritas de um inspetor de polícia que liderou a busca a um dos assassinos mais famosos de todos os tempos mostram que o verdadeiro "Jack, o Estripador" pode ser um barbeiro polonês chamado Aaron Kosminski. Os documentos foram doados nesta quinta-feira ao Museu do Crime da Scotland Yard, por ocasião de sua reabertura oficial.

As anotações estão contidas em um livro pertencente ao inspetor chefe Donald Swanson, quem também aponta Michael Ostrog e o advogado Montague John Druitt como outros possíveis suspeitos do assassinato e mutilação de cinco prostitutas londrinas, em 1888. Aaron Kosminski já foi considerado suspeito pelos crimes em um famoso memorando do subcomissário chefe da Polícia Metropolitana Melville MacNagten, escrito em 1894.

O barbeiro polonês levantou as suspeitas da polícia após ter ameaçado sua irmã com uma faca, mas devido a seus problemas mentais, foi internado em um centro psiquiátrico, não podendo ser interrogado pelos investigadores.

O barbeiro havia sido reconhecido pela única suposta testemunha dos crimes, que depois se negou a testemunhar contra ele, por serem ambos judeus. Swanson escreveu em suas notas que desde que Kosminski soube que havia sido identificado pela polícia, não foram mais registrados crimes semelhantes aos que espalharam o terror nas ruas de Londres. Kosminski morreu em um asilo, em 1919.

O livro passou de geração a geração, até chegar ao bisneto do inspetor, Nevill Swanson, que hoje disse que o Museu do Crime da Scotland Yard, o mais antigo do estilo no mundo, era o lugar mais apropriado para essa "lembrança familiar".

O mistério em torno da identidade de "Jack, o Estripador" se transformou em uma indústria milionária, levando a público mais de vinte suspeitos ao longo da história. Diante da falta de provas, no entanto, ainda é impossível determinar sua identidade.

"Jack, o Estripador" assassinava suas vítimas com precisão cirúrgica antes de extrair seus órgãos internos, motivo pelo qual muitos imaginaram que possuía conhecimentos avançados de cirurgia.

 

Fonte: Terra.



 Escrito por Thiago Leal às 09h16
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Atenção, mais novidades em breve!!!!

 Escrito por Thiago Leal às 21h04
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Mais novidades em breve. Dependo de vcs para as atualizações deste blog. Deixe seu comentário!

 Escrito por Thiago Leal às 21h17
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Walter Sickert: SUSPEITO Nº 1

 

 



 Escrito por Thiago Leal às 11h04
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Jack, o Estripador, foi o primeiro criminoso a virar celebridade. Depois de 115 anos, ele é nome de pub em Londres, tem roteiro turístico e batiza até um drinque vermelho-sangue. Sobre ele, foram escritos mais de 200 livros com variadas hipóteses. Anthony Perkins e Klaus Kinsky já o representaram no cinema. Mas o curioso, no caso de Jack, é que ele é uma celebridade sem rosto - algo impensável nos dias de hoje. Está nas livrarias - depois de ter causado polêmica nos Estados Unidos - o livro Retrato de um Assassino, a mais recente tentativa de dar identidade ao criminoso que estripou pelo menos cinco prostitutas no miserável bairro londrino de Whitechapel no fim do século XIX.

O saboroso é que, desta vez, Jack foi investigado pela mais excêntrica escritora policial. A americana Patricia D. Cornwell ganhou uma legião de fãs ao criar na ficção a médica-legista Kay Scarpetta, que entre os desenlaces de uma complicada vida familiar e amorosa desvenda a identidade de serial killers fazendo os mortos falar na mesa de seu necrotério. Em 2001, Cornwell foi convidada a visitar a Scotland Yard. Uma rotina na vida da escritora, que, ao botar o pé em alguma cidade, é sempre convocada a passear pelo que há de mais apavorante: túmulos, necrotérios, prisões. Era de esperar que o assunto recaísse no fracasso histórico da prestigiada instituição: ele, Jack. De dentro do catálogo de possíveis rostos do estripador, o pintor Walter Sickert (1860-1942) a encarou. Cornwell não pôde mais dormir em paz. Provar que Sickert era Jack tornou-se uma obsessão. A ponto de confessar: 'Sinto que Sickert está sugando minha vida'.

Foi assim que a escritora se confundiu, na vida real, com seu alter ego da ficção, a doutora Kay Scarpetta. Não poupou sua fortuna pessoal para arrancar a verdade dos mortos um século depois. Gastou mais de US$ 4 milhões para desvendar o mistério. Contratou especialistas forenses, estudiosos de caligrafia, pesquisadores da obra de Sickert. Descobriu que cartas do estripador à polícia tinham a mesma marca-d'água da correspondência do artista. Chegou ao requinte de comprar 30 pinturas, algumas ao preço de US$ 70 mil, e destruir parte delas em busca de impressões digitais.

Não houve o que Cornwell não tenha feito na sanha de provar que Walter Sickert - discípulo de Whistler, amigo de Oscar Wilde, admirador de Degas - e Jack, o Estripador, eram a mesma pessoa. Ela fez o que o inspetor Fred Abberline teria feito se tivesse os recursos de hoje. E teve todas as dificuldades de quem rastreia pistas deixadas há mais de um século - como descobrir que a plastificação das cartas atribuídas ao estripador tinha inviabilizado a identificação do DNA.

Ao final, conseguiu muitas provas e coincidências - algumas impressionantes -, mas nenhuma conclusiva o suficiente

para que se considere o 'caso encerrado'. Depois de mais de 100 testes com resíduos da saliva deixada ao selar envelopes, conseguiu o melhor resultado: uma seqüência de DNA mitocondrial de uma célula coletada em uma carta do estripador igual à encontrada em duas correspondências de Sickert. O problema do DNA mitocondrial - pinçado fora do núcleo da célula - é que ele não é exclusivo. A coincidência teria sido forte o suficiente para colocar Sickert no banco dos réus, mas a seqüência é igual à de 1% da população.

Walter Sickert, cujo corpo foi cremado, era uma figura bem intrigante. É considerado um dos melhores impressionistas ingleses, o que não significa muito na história da arte. Uma série de gravuras macabras de prostitutas, feitas 20 anos depois dos crimes, o colocou há muito na extensa lista de suspeitos. Privilégio que divide, entre outros, com figurões como o neto da rainha Vitória, o duque de Clarence, e até o criador de Sherlock Holmes, sir Arthur Conan Doyle.

A escritora descobriu que Sickert - três casamentos e nenhum filho - colecionava em vida todos os clichês que se imagina na biografia de um assassino compulsivo: pai dominador, uma fístula no pênis que pode tê-lo deixado impotente, ódio às mulheres, amor pelos disfarces, personalidade manipuladora e atração pela face sombria de Londres. Essa parte da história, que poderia ser fascinante, é a mais pobre. No quesito psicologia, Kay Scarpetta teria feito melhor. Sua criadora, Cornwell, escorrega na interpretação barata e começa a ver indícios em tudo. Esquece que, se Sickert reúne todos os ingredientes de um psicopata, isso não o torna um.

Poucas pessoas teriam mais razões para lembrar disso que Cornwell, de 47 anos. Ela assistiu a mais de 200 necropsias, trabalhou seis anos num necrotério, sofreu um estupro quando era repórter policial, teve um caso com uma agente do FBI cujo marido ciumento armou uma emboscada para a mulher nos porões de uma igreja, já esteve num centro de reabilitação para dependentes de álcool depois de bater o carro bêbada, tem crises maníaco-depressivas e anda armada. Tudo isso a transformou numa escritora policial milionária, não numa assassina. É bem possível que Sickert tenha mesmo cometido os crimes, mas ele também pode ter sido apenas o que se sabe: um pintor talentoso. Ao final da mais completa investigação sobre a identidade de Jack, o que se descobre é que o mistério continua.

 



 Escrito por Thiago Leal às 11h18
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Célebre Criminoso e assassino inglês. Tinha por hábito degolar as vítimas, que eram sempre e só mulheres prostitutas. Antes ou depois da degola, abria-lhes o ventre, com magistral incisão, técnicamente perfeita, do ponto de vista cirúrgico; deixava as  vítimas esvaídas em sangue, com as vísceras à mostra, ou derramadas em torno do corpo. A degola também era feita com a precisão de uma incisão cirúrgica, passando, o talho, de uma orelha à outra.

Zombava da polícia, a qual remetia pelo correio, pedaços e vísceras de suas vítimas. Todos os seus crimes foram trágicos e pavorosos, com as mesmas características.


 Escrito por Thiago Leal às 09h56
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Novidades!

Em breve com novas discuções e novidades no blog mais completo sobre o assunto, Não Perca a grande reinauguração do blog -  Dia 25/02/06.-



 Escrito por Thiago Leal às 10h40
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Atualizado, até que enfim!!!

A nova carta de Jack - O estripador.
 
Circulam muitas lendas e especulações sobre o assassino em série que ficou para a história da criminalística como Jack - O estripador. No século 19, Jack causou uma forte tensão social em Londres, na Inglaterra, ao produzir uma seqüência de assassinatos com mutilações. Na histérica atmosfera de 1888, centenas de cartas atribuídas ao criminoso foram enviadas para a polícia e para a imprensa, mas a maioria delas era fraudulenta.
 
Em abril de 2004, a Secretaria de Registros Públicos de Londres apresentou ao mundo a chamada Carta Openshaw, um manuscrito supostamente autêntico, feito pelas mãos do próprio estripador. Conquanto não seja possível provar com absoluta certeza a autenticidade do documento, as autoridades afirmam que vários elementos indicam que pode ser legítima. Stewart Evans, autor de um novo livro sobre o criminoso, acredita que a carta pode ser a única genuína entre as outras 220 que estudou.
 
Fato é que a carta, muito mal redigida e com um texto arrogante, foi enviada em outubro de 1888 a Thomas Horrocks Openshaw, curador do museu patológico do Hospital de Londres. Foi o mesmo Dr. Openshaw que examinou um rim que lhe foi mandado pelos correios e comprovou pertencer a prostituta Catherine Eddowes, assassinada por Jack.
 
Manchas e irregularidades nas letras levaram grafoscopistas a sugerir que o autor era um alcoólatra ou viciado em drogas.
 
A carta esteve guardada pela Polícia Metropolitana, que por sua vez a recebeu de Donald Rumbelow, autor do livro The Complete Jack the Ripper, editado 25 anos atrás.


 Escrito por Thiago Leal às 10h57
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 Escrito por Thiago Leal às 12h42
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Finalmente Atualizado!

Patrícia Cornwell é bem conhecida por sua literatura policial, de tons médico-legais.Ou seja, dedicada a narrativa dos meandros das investigações feitas entre corpos e geladeiras de necrotérios. Antes de se tornar uma escritora profissional trabalho com medicina legal nos Estados Unidos da América e atualmente é diretora de um departamento na mesma área.

Recentemente, em uma visita a Londres, convidaram-na a visitar os lugares onde Jack, o estripador cometera seus crimes no final do século XIX. O caso de Jack, o estripador é público, notório e incômodo para a Scotland Yard (polícia inglesa), tanto quanto o caso Jack – The Ripper é para a justiça francesa.

Mas é claro, a Scotland Yard - como ficou conhecida a polícia londrina - recuperou-se do surto de descrédito que lhe abateu durante o caso, recuperação tão notável que foi capaz de criar em torno da polícia uma verdadeira mitologia de competência, eficácia, rapidez, discrição e infalibilidade.

Desvendar a identidade do estripador não é de qualquer modo uma questão primordial para a Scotland Yard, até mesmo porque as possibilidades - passados mais de cem anos - são terrivelmente remotas.

Mas Patrícia Corwell quis se meter na embrulhada e "revelar a identidade do estripador". Investiu de seu próprio bolso para realizar testes modernos empregados na medicina legal atualmente como exames de DNA, exames grafológicos, de marcas d´água em cartas do suposto assassino etc. Todos absolutamente inconclusivos.

Ora, apesar de todo avanço científico atual, nada pode ser feito contra os equívocos e barbeiragens na condução dos inquéritos à época. Além do mais o principal suspeito de Corwell foi cremado, o que destrói grande parte das possibilidades.

Diante disso, a escritora investiu em uma análise de cunho psicológico criminalista a fim de "identificar" o assassino. Tal procedimento a levou até Walter Sickert, pintor inglês falecido na década de 1942, sem deixar herdeiros e sem qualquer parente de sangue vivo. Aí a coisa começa a se complicar, e não no campo da narrativa de Corwell.

Será que Patrícia Corwell teria a mesma desenvoltura para fazer uma acusação tão grave caso Sickert tivesse deixado herdeiros? Certamente o risco de ter de pagar uma indenização milionária referente a um processo por calúnia e difamação não compensaria o lucro obtido com a venda do livro. Nem mesmo correria o risco de ter seu trabalho desqualificado em público por um advogado minimamente competente.

O segundo problema é o da ausência de provas definitivas: a análise de um quadro de um pintor - a não ser que tenha sido pintado com o sangue da vítima - por mais que insinue algo jamais terá o peso de uma confissão. E não existem quaisquer outras provas materiais além das especulações de Corwell.

Em terceiro lugar, análises psicológicas devem ser calibradas, ainda mais quando se dão no tempo. Sickert foi um vitoriano, um homem do século dezenove e adotar um vocabulário sombrio, permeado de termos relacionados à morte e ao corpo não faz dele, necessariamente, um assassino, bem como não o fez de Byron. Entre os românticos do século dezenove - mesmo os tardios - tal vocabulário era uma questão de estética e de ideologia, não uma confissão de psicopatologias.

Por último, mas não menos grave, reside o problema do julgamento. Que a imprensa é leviana - com nobres exceções - não é uma novidade, que vender conteúdos sensacionalistas (mesmo os com mais de cem anos) rende muito dinheiro também não é. Entretanto o próprio mundo burguês, instaurado no século dezenove, determinou a regulamentação de tais questões.

Ou seja, existe um poder judiciário exatamente para resolver tais questões. Qual é o direito que um indivíduo - protegido pelo dinheiro - tem de acusar e julgar sozinho (veja-se bem, a mesma instância que acusa, julga) tal questão?

Pode ser que Sickert realmente tenha sido o estripador, como pode ser que não. A alegação de que "trata-se de fazer justiça às vítimas" não convenceria nem mesmo às próprias, trata-se de fazer dinheiro.

A injustiça - ou a impunidade - perde-se no tempo, a história não volta, para nenhum lado, para ninguém. Os problemas dos mortos se foram com eles, nos restam suas heranças e são delas que nos ocupamos, como pensadores não como juízes.

Sinto-me bastante a vontade para falar sobre isso uma vez que - bem como os legistas - historiadores convivem com mais gente morta do que viva, mas não temos como objetivo ou pretensão "fazer justiça", ou "resolver os problemas deles", tal procedimento seria no mínimo hipócrita.

Afinal de contas, as prostitutas londrinas cruelmente assassinadas já estavam condenadas por sua sociedade antes de serem retalhadas pelo estripador. Ele somente foi o braço final de um triste processo de degradação social. E as cinco infelizes não estão a bater na porta de nenhum tribunal.


 Escrito por Thiago Leal às 12h36
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O Assassino de Whitechapell.

Quem foi Jack, o Estripador? Quais motivos justificam o banho de sangue que promoveu na pudica Inglaterra vitoriana? Se mais de um século não foi tempo suficiente para que a identidade e as razões do assassino de Whitechapell fossem reveladas, não seria o passar dos anos o agente capaz de diminuir o suspense e o fascínio que, até hoje, emanam da maior crônica policial de todos os tempos. Incontáveis relatos já foram publicados a respeito daqueles crimes e um sem-número de teorias já foi levantado sem, no entanto, esclarecer satisfatoriamente os detalhes da violenta morte das prostitutas no East End londrino de 1888. Todas as tentativas de trazer luz a acontecimentos tão obscuros só colaboram para que o mistério de Jack chegue ao ano 2004 com inabalado frescor.
Escrito por Alan Moore e desenhado por Eddie Campbell, "Do Inferno" engorda a já extensa lista de títulos dedicados aos crimes do Estripador mas, ao contrário de defender uma teoria própria, faz uma síntese coesa e extremamente convincente das muitas teses conspiratórias que tentam explicar o quem-como-por quê dos homicídios. Lançada agora no Brasil pela Via Lettera, a obra em quadrinhos não é o ponto mais alto da trajetória de genialidade de Moore, mas flagra o momento em que o recluso criador de "Watchmen" (esta sim, sua obra-prima) se supera mais uma vez como contador de histórias. O roteirista reveste o mito de Jack com uma aura de envolvente veracidade, fazendo com que a lenda circule entre a realidade e a suposição, entre o fato e o boato, entre a história e a ficção, "se é que algo pode ser plenamente confirmado neste pântano de meias-verdades, rumores insistentes e mentiras descabidas", lembra Moore no delicioso apêndice do primeiro dos quatro volumes que a editora brasileira pretende lançar até dezembro.
O realismo que transforma "Do Inferno" em um trabalho de inquietante leitura é fruto da profunda pesquisa bibliográfica feita por Moore e Campbell durante a criação dos 16 capítulos que compõem a história. Além de revirar registros forenses, fuçar livros de arquitetura e história antiga à cata de referências e buscar material iconográfico em mapas e fotos de época, os criadores travam ousado diálogo com os autores de diversas teses que explicam os assassinatos de Whitechapell, citando vasta bibliografia em um detalhadíssimo apêndice de 28 páginas. O próprio Moore assume que o livro "Jack the Ripper: The Final Solution", escrito por Stephen Knight, apresenta uma teoria "duramente criticada e ridicularizada", mas utiliza-o mesmo assim como fio condutor de sua síntese quadrinística.
Segundo a história de Knight, acatada pelo roteirista inglês, a série de homicídios seria a reação da família real contra a chantagem de um grupo de prostitutas do East End. A trama teria início com o nascimento de Alice Margaret, filha do casamento secreto do príncipe Eddie (Albert Victor Edward) com Anne Crook, balconista de uma loja de doces. Avó de Eddie, a rainha Vitória teria encarregado o maçom William Withey Gull - seu médico favorito - de confinar a plebéia em um manicômio, pondo fim a ameaça de que a indesejada herdeira do trono fosse conhecida pelo público. Na versão de Knight, as prostitutas amigas de Anne estariam sendo extorquidas por um grupo de arruaceiros e decidiram exigir dinheiro da realeza em troca do silêncio sobre a pequena Alice e o paradeiro de sua mãe. Vitória, acuada, teria incumbido Gull de tomar atitudes mais incisivas - literalmente - e acabar com as chantagistas: é ele o Estripador desmascarado por Knight e confirmado nos quadrinhos por Moore e Campbell.
Mas não é só o livro de Knight que fornece pistas para a construção de "Do Inferno". Moore também retira informações preciosas de "The Complete Jack the Ripper", livro escrito por Donald Rumbelow, de "White Chappel, Scarlet Tracings", assinado por Iain Sinclair, e de "Jack the Ripper: The Uncensored Facts", tese de Paul Begg (que também escreveu, em parceria com Martin Fido e Keith Skinner, o didático "Jack the Ripper A-Z"), entre outras fontes. É esse cruzamento de hipóteses que une as pontas soltas de uma história ainda não esclarecida oficialmente e confere respeito à obra da dupla, uma sensação que se insinua inicialmente na leitura dos quadrinhos e que se acentua, depois, enquanto o leitor vai mergulhando nas minúcias técnicas reveladas por Moore em seu apêndice. "'Do Inferno' foi mais exaustivamente pesquisado em termos visuais do que de conteúdo", explica o argumentista, trazendo à tona também o trabalho do colega. "Basta dizer que qualquer apêndice minimamente adequado listando as fontes de Campbell da mesma maneira como estou fazendo com as minhas seria duas vezes maior do que esta monstruosidade, o que, em si, parece ocupar o dobro do espaço da obra à qual se refere".
Amparado por fotos antigas, o lápis de Campbell reconstitui com rigor os rostos dos personagens envolvidos e os cenários onde os crimes aconteceram. Esse apuro técnico em preto-e-branco se opõe radicalmente à simplicidade com que o artista australiano desenha os assuntos secundários, um estilo rápido e sugestivo que beira o desleixo mas em nenhum momento ameaça a peculiar beleza da obra. Muito pelo contrário: o traço apressado de Campbell, suas formas toscas e sua predileção por cenas escuras reforçam o clima de mistério, de conspiração e segredo que transpiram por toda a história, transformando aquilo que era um enredo policial em uma aterradora narrativa gótica resgatada das brumas londrinas.
Além de se avizinhar perigosamente da realidade, "Do Inferno" evidencia o estilo literário já consagrado por Moore em "Watchmen" ao abrir espaço para narrativas paralelas, momentos em que o roteirista aproveita para brindar o leitor com uma magnífica aula de arquitetura, com fragmentos de rituais maçônicos e passeios esclarecedores pela mitologia. É tênue a fronteira delimitada pelo escritor para separar o mundo cotidiano - ilustrado pelo "varal" para o sono dos sem-teto, pelo sexo feito em pé nos becos de Londres e pelas gírias de rua da época - do mundo insólito e misterioso representado por John Merrick, "o homem elefante", pela eficiência das facas Liston e pelo momento em que Alois e Klara Hitler concebiam, na Áustria, seu filho Adolf.
Em 1995, "Do Inferno" rendeu a Moore os prêmios Eisner e Harvey de Melhor Roteirista, além de um Harvey na categoria de Melhor Série Continuada. Reeditada no exterior em uma única edição de quase 600 páginas pela Eddie Campbell Comics, a saga recebeu em final de abril o prêmio Harvey na categoria de Melhor Álbum Gráfico de Obra Publicada Previamente e, agora, concorre ao Eisner de Melhor Álbum Gráfico - Republicação deste ano. Os prêmios atestam a qualidade de algo que fala por si, um trabalho minucioso e de grande poder de sedução que, se não mostra uma versão muito próxima da verdade para o mito de Jack, no mínimo apresenta uma história maravilhosamente bem desenvolvida. A melhor delas - é possível dizer, ainda que isso dê margem a muitas discussões - porque contada muito bem.



 Escrito por Thiago Leal às 10h57
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O primeiro dos suspeitos é George Chapman, de origem polonesa, cujo verdadeiro nome é Severin Klosovski, proprietário de um salão de cabeleireiros. Chapman é parecido com o homem visto com Mary Kelly. Além disso, algumas das cartas assinadas por Jack - O Estripador, contêm expressões idiomáticas americanas, e Chapmam morou durante dois anos nos Estados Unidos. Mas ele é enforcado em 1903, condenado pelo envenenamento de três de suas amantes. Um outro é o suspeito mais famoso, o duque de Clarence, filho mais velho do futuro rei da Inglaterra Eduardo VII. Mentalmente retardado, aos 24 anos, o duque sofre de gota e de sífilis. Ele corteja uma mendiga, o que não o impede de sentir atração por meninos. Clarence não possui disposição para nada e em 1892, deixa a lista de suspeitos após morrer de pneumonia, ou sífilis. Entretanto, o duque costumava contar à família que ele e Jack - O Estripador, eram uma só pessoa. Os companheiros de Clarence compõem um vasto leque de criminosos potenciais. O tutor do duque em Cambridge, James Stephen, é um dos suspeitos, enquanto o escudeiro é primo de dois outros suspeitos, Milis e John Druitt. Voltaremos a isso.

O doutor Neil Cream envenenou quatro prostitutas com estricnina, e ficou conhecido como o "Envenenador de Lambeth". Por esses crimes, é enforcado em 1892. No cadafalso, suas últimas palavras para o carrasco são: "Eu sou Jack, ...". Contudo, no momento dos assassinatos, Cream estava preso em Illinois, nos Estados Unidos. Absolvido pela Justiça norte-americana em julho de 1891, está na Grã-Bretanha desde setembro. A situação complica-se quando Cream envolve no caso um sósia dele. De fato, anteriormente, para se defender num processo de bigamia, ele afirma que, à época dos crimes, estava detido em Sydney, na Austrália. O diretor da prisão confirma que um homem com as características de Cream esteve preso na instituição, o que basta para esclarecer as dúvidas. Obviamente, dois homens serviram-se mutuamente de álibis, e as derradeiras palavras de Cream ao carrasco teriam sido uma última demonstração de generosidade ao seu cúmplice.

De origem burguesa, Montagne John Druitt nasce em 1857. Extremamente inteligente, obtém uma bolsa de estudos no Winchester College e, depois, em Oxford. É um estudante brilhante, popular entre os colegas, pratica remo e críquete. Em 1880, Druitt se forma, mas sua vida começa a ficar complicada. Ele inicia o curso de Direito, mas abandona a escola. Entra para a faculdade de Medicina, desiste do curso e retoma o de Direito. Trabalha numa escola para sobreviver. Em 1888, é despedido.

Homossexualidade ou conduta irresponsável? Druitt sentia que estava ficando louco como a mãe, internada para sempre num hospital psiquiátrico. Druitt foi visto pela última vez em 3 de dezembro de 1888, e seu corpo foi resgatado do Tâmisa, próximo a Londres, no dia 31. Os bolsos, cheios de pedras, não deixam dúvidas quanto ao suicídio. A morte de Druitt coincide com o fim da onda de crimes, mas o fato de que jogava críquete em Blackheath na manhã da descoberta dos corpos de Mary Chapman e de Polly Nichols seria suficiente para inocentá-lo. Em março de 1889, os policiais garantem a um membro do comitê de vigilância que reclama da redução das rondas, que Jack, o Estripador, estava morto. Segundo a polícia, o fato não fora divulgado para poupar a mãe do criminoso, que estava internada.

No decorrer das investigações, aparece também um conceituado médico, Dr. Lees, pertencente ao círculo próximo à rainha Victoria. Lees afirma à polícia ter tido três visões premonitórias dos crimes, e chegou a descrever a roupa do assassino. No início, os agentes de polícia escutam o médico por educação, mas, quando ele faz referências às orelhas decepadas, ficam atentos, pois ninguém havia comentado esse fato. Lees conduz os policiais à casa de William Gull, também freqüentador do palácio de Buckingham como médico da rainha e do príncipe de Gales.

A filha de Gull afirma aos inspetores que, vitimado por um ataque em 1887, o pai regularmente assume um comportamento violento. A casa é revistada e os policiais encontram no guarda-roupa um terno de tweed e uma capa que correspondem à descrição feita por Lees. O médico não consegue explicar por que suas roupas estão sujas de sangue. Convencido do poder de suas relações pessoais, Gull inicialmente não se preocupa. Morre em 29 de janeiro de 1890. Corria também uma outra versão: Gull encobria algum membro da família real, pois, debilitado psiquicamente, não possuía condições de cometer os assassinatos.

Finalmente, Rasputin, o polêmico bruxo da corte do czar Nicolau II, da Rússia, entra no caso. Um manuscrito, intitulado Les Grands Criminels Russes (Os Grandes Assassinos Russos), é encontrado num cofre na casa de Rasputin, após ele ter sido assassinado pelo príncipe Félix Yussupov. O documento aponta um médico, o doutor Konovalov, como o verdadeiro Jack, o Estripador. Konovalov freqüentemente exibia impulsos homicidas e, por conta disso, a Okhrana, polícia secreta czarista, o teria mandado para a Grã-Bretanha. Assim, Konovalov teria sido o sósia de Klosovski-Chapman.

Mais tarde, as suspeitas atingem um certo Michael Ostrog - que seria Konovalov - um médico considerado louco, que conseguiu se livrar de várias condenações. Ostrog tem a reputação de bater em mulheres e de nunca se separar de seus instrumentos cirúrgicos. Um homem com as características de Ostrog foi →



 Escrito por Thiago Leal às 11h20
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CONTINUAÇÃO

 assassinado num asilo para loucos, logo após a morte de uma mulher em Petrogrado. Por coincidência, essa mulher foi morta após a volta de Konovalov à Rússia.

Frank Milles é pintor e viveu por algum tempo com o poeta Oscar Wilde. Eles se separam em 1881. Milles é um exibicionista que gosta de chamar a atenção das prostitutas. Artista talentoso, é internado num hospital para doentes mentais em dezembro de 1887. A data da morte de Milles é motivo de dúvidas: pode ter sido em março de 1888 ou em julho de 1891- e essa divergência muda tudo. Como vimos, o primo de Miles era escudeiro do duque de Clarence e os dois homens se conheciam. Quais seriam as relações entre eles? Mistério. Indubitavelmente, O Retrato de Dorian Gray apresenta analogias com os acontecimentos de 1888. Daí, conclui-se que Wilde escreveu um romance com um segredo...

Voltemos à associação Druitt, Clarence, Miles, Stephen. O destino deste último lembra o de Druitt. Após misterioso acidente, no qual fere a cabeça, enlouquece. É o que se conclui a partir dos fatos relatados por sua ilustre prima, a romancista Virginia Woolf. Stephen, filho de célebre magistrado, passa a se dedicar à poesia, na qual deixa transparecer a raiva contra as mulheres. Misoginia extrema ou furor causado pelo fim de sua relação com Clarence, enviado pela família a um regimento de hussardos? Em razão desses transtornos psicológicos, Stephen teria consultado um médico... o doutor Gull. Todos os protagonistas estão reunidos e o caso é encerrado. No fim de 1891, Stephen é internado num asilo e morre em 3 de fevereiro do ano seguinte.

Mais de um século depois dos acontecimentos, continua o mistério do assassino das mulheres de Whitechapel. Jack - O Estripador, torna-se definitivamente um mito repleto de histórias sombrias e misteriosas.



 Escrito por Thiago Leal às 11h17
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